quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sind-UTE/MG mobiliza para cobrar a implantação do Piso Salarial e problemas na carreira dos trabalhadores em educação


Dia de Paralisação Estadual

O Sindicato Único dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação (Sind-UTE/MG) participa de audiência pública, no próximo dia 4/5, às 14h, na Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG), para discutir a implementação do Piso Salarial Nacional para a categoria educacional no Estado de Minas Gerais. Durante o evento serão discutidos ainda os problemas enfrentados pela categoria em função do ineficaz Plano de Carreira da Educação, implantado pelo Governo há seis anos.

O debate acontece na Comissão de Administração da ALMG, por meio de requerimento do deputado estadual Rogério Correa (PT), líder do bloco de oposição Minas Sem Censura. Participarão do debate, a coordenadora geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, além de parlamentares e membros do governo estadual. Representarão o Governo do Estado as Secretárias de Estado de Planejamento e Gestão Renata Vilena e de Educação Ana Lúcia Gazola.

O objetivo é cobrar a imediata implementação do Piso em Minas Gerais, de acordo com determinação do Supremo Tribunal Federal, que votou pela constitucionalidade da lei 11.738/08, que regulamenta o Piso. “Agora temos uma lei declarada constitucional, que nos ampara na reivindicação do Piso Salarial em Minas. E subsídio além de não ser piso, descaracteriza as conquistas funcionais de cada servidor”, avalia Beatriz Cerqueira.

Direito - O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou no último dia 06/04, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.167, que questionava a lei que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional. Pela decisão do Supremo, o Piso Salarial é composto pelo vencimento básico da carreira, excluídas as vantagens e gratificações pessoais. O questionamento no Supremo foi feito pelos governadores do Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, sob o argumento de que os estados não teriam condições financeiras de instituir o Piso em seus respectivos Estados.

Minas Gerais não implementou o Piso - No Estado o vencimento básico de um professor com nível médio de escolaridade é de R$369,00. O subsídio implantado através da Lei 18.975/10, não corresponde ao Piso salarial. A composição do subsídio é o total da remuneração. Após a decisão do STF, o Piso é constituído apenas de vencimento básico, excluindo qualquer gratificação ou vantagem pessoal.

É fundamental que mobilizemos todas as regiões do estado para uma grande manifestação em Belo Horizonte e participação na Audiência Pública. É a primeira vez que teremos a oportunidade de expor todos os problemas de carreira que vivemos nos últimos anos e cobrarmos publicamente do Governo Estadual a solução.

Por ser paralisação, o Sind-UTE/MG fez a comunicação cumprindo o requisito de antecedência de 72 horas.

Concentração às 13 horas, no Pátio da Assembleia Legislativa de MG.

Fonte: Sind-UTE

Lei do Piso: Governadores são derrotados no STF


 
Na tarde desta quarta-feira (27), o plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento da ADI 4.167, no tocante ao parágrafo 4º do art. 2º da Lei 11.738, que versa sobre a destinação de, no mínimo, 1/3 (um terço) da jornada de trabalho do/a professor/a para a hora aula-atividade, rejeitando, assim, a tese da inconstitucionalidade proposta pelos cinco governadores considerados “Inimigos da Educação, Traidores da Escola Pública”.

No início do mês, o STF já havia julgado constitucional a parte da Lei 11.738 que vincula o piso nacional aos vencimentos iniciais das carreiras de magistério de estados e municípios.

 Mesmo considerando a hora aula-atividade constitucional, é possível que gestores descompromissados com a educação de qualidade não apliquem efetivamente o preceito da norma federal, em razão de a votação no STF não ter alcançado o quorum qualificado de seis votos. Nestes casos, os Sindicatos deverão ingressar com ação judicial nos tribunais estaduais, podendo eventuais recursos retornarem ao STF.


Diante da improcedência integral do pedido de inconstitucionalidade da Lei 11.738, e à luz dos efeitos jurídicos perpetrados no julgamento sobre a hora aula-atividade, a CNTE orienta seus sindicatos filiados a exigirem dos gestores públicos a aplicação de todos os preceitos da lei do piso do magistério, devendo, nos casos de descumprimento do parágrafo 4ª do art. 2º da Lei 11.738, os mesmos ingressarem com ação judicial para forçar, no curto prazo, o pronunciamento do judiciário local e, posteriormente, a decisão sobre o efeito vinculante na Suprema Corte.

Lembramos, ainda, que a aplicação dos preceitos da Lei 11.738 – questionados na ADI 4.167 – não necessita aguardar o acórdão do relator. O cumprimento da decisão deve ser imediato.

Fonte: CNTE

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Trabalhadores/as em Educação definem calendário de mobilização pelo pagamento do Piso Salarial de R$1.597,87


Cerca de 10 mil trabalhadores/as em educação participaram da assembleia estadual realizada em Ouro Preto no dia 19/04, convocada pelo Sind-UTE/ MG. Acompanhados por forte aparato policial, inclusive pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar de Belo Horizonte, a categoria realizou a assembleia na Praça Tiradentes, centro histórico da cidade. A atividade foi um marco na retomada daquela Praça como palco de mobilizações sociais.

Antes da realização da assembleia, o Sind-UTE/MG promoveu a entrega da Medalha QUEM LUTA EDUCA. Foram agraciadas entidades e lideranças que tiveram uma atuação na sociedade em defesa dos excluídos e por uma sociedade justa e socialista.

Assembleia Estadual

A categoria avaliou a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) sobre a Lei 11.738/08 e a situação do Estado de Minas Gerais. Com a decisão do Supremo, o Piso Salarial passa a ver o vencimento básico da carreira, desconsiderando neste cálculo, quaisquer vantagens ou gratificações. Desta forma, o Governador Antonio Anastasia não paga o Piso, pois o vencimento básico em Minas é de R$369,00.

Outra questão avaliada é o subsídio como forma de remuneração instituído pela Lei Estadual 18.975/10. O subsídio e as conquistas de carreira do servidor descaracterizam o piso salarial e definitivamente não fazem integram o Piso.

Piso Salarial em Minas Gerais

A assembleia discutiu e aprovou várias estratégias de mobilização para pressionar o Estado a cumprir a Lei do Piso. O Sind-UTE/MG já estuda todas as medidas judiciais cabíveis para cobrar o pagamento do Piso Salarial, bem como os valores retroativos desde o início de vigência da Lei 11.738/08.

Um instrumento importante pra isso é a publicação do Acórdão com os votos dos Ministros do STF, o que deverá ocorrer até maio próximo. O Sind-UTE/MG já cobrou do Governo, por meio da Secretária de Estado de Educação, o pagamento do Piso.

Calendário de Mobilização

Para pressionarmos o Governo a pagar o Piso Salarial, foi aprovado, pela assembleia, o seguinte calendário de mobilização:

28/04: Ato Unificado das Centrais Sindicais em defesa do trabalho decente, pela universalização da seguridade social e por uma política nacional de proteção à saúde do trabalhador.
30/04: Seminário com as Redes Municipais filiadas ao Sind-UTE/MG para discussão de estratégias de pagamento do Piso nos municípios.
01 e 02/05: Participação nas comemorações do Dia do Trabalhador.
04/05: Paralisação Estadual com manifestação em BH e participação na Audiência Pública promovida pela Assembleia Legislativa sobre o Piso Salarial e a carreira em Minas Gerais.
11/05: Paralisação Estadual com caravanas à Brasília para mobilização nacional em defesa do valor do Piso.
21/05: Conselho Geral do Sind-UTE/MG.
31/05: Paralisação Estadual com Assembleia para definir os rumos do movimento.
05/06: Eleição para direção das escolas estaduais.
Até o dia 30/05: realização de conselhos de representante e assembleias locais/regionais.


Opção sobre as formas de remuneração

De acordo com a Lei Estadual 18.975/10, artigo 5º, os profissionais da educação têm até o dia 06/05 para se manifestarem sobre a forma de remuneração. Quem não se manifestar até esta data, ficará em definitivo recebendo o subsídio como remuneração.

Art. 5º da Lei 18.975/10
“O servidor que, na data de publicação desta Lei, for ocupante de cargo das carreiras a que se refere o art. 1º poderá optar pelo retorno ao regime remuneratório anterior à vigência desta Lei, no prazo de noventa dias contados da data do primeiro pagamento de sua remuneração pelo regime de subsídio.”

Por ser parcela única, o subsídio descaracteriza o vencimento básico e as demais vantagens e gratificações que o servidor receba. Por isso, a assembleia da categoria aprovou a orientação de que todos os servidores devem optar por retornar à remuneração constituída de vencimento básico, ou seja, devem sair do subsídio.

Esta é a única possibilidade de fortalecermos a luta pelo Piso Salarial. Se a maioria da categoria for para o subsídio, o Estado não precisará se preocupar em discutir o Piso Salarial e, desta forma, abandonaremos a discussão de preservar o que cada um/uma conquistou em sua vida.

Se sair do subsídio agora, teremos ainda outra oportunidade de retornar a ele, conforme artigo 5º, parágrafo 3º da Lei 18.975/10. Se ficarmos, perderemos em definitivo a possibilidade de receber o Piso Salarial.

Parágrafo 3º, do artigo 5º da Lei 18.975/10
“A ausência de manifestação do servidor no prazo estabelecido no caput implicará a decadência do direito de opção pelo regime remuneratório anterior.”

Manutenção do indicativo de greve

Outra decisão da categoria foi a manutenção do indicativo de greve para a próxima assembleia. Como o Governo do Estado ainda não respondeu à pauta de reivindicações 2011 e também continua omisso quanto ao cumprimento da Lei do Piso, o indicativo de greve foi mantido. É possível a deflagração de uma nova greve caso a situação da categoria permaneça como está.


Solidariedade

A caminho de Ouro Preto, os/as companheiros/as de Salinas sofreram um acidente, na altura da cidade de Montes Claros. A direção do Sind-UTE/MG está prestando toda a assistência e tanto durante a reunião do Conselho Geral como da assembleia estadual reservou um momento para prestar a solidariedade aos companheiros.

Fonte: Sind-UTE

Haddad: formação e remuneração serão principais metas do PNE

O ministro da Educação Fernando Haddad considera como principais metas do novo Plano Nacional de Educação aquelas que estão relacionadas à formação e à remuneração de professores. "Se fosse apontar as metas que mais dialogam com os principais problemas da educação brasileira, diria que são as metas relacionadas ao magistério, no que diz respeito à formação e à remuneração", afirmou o ministro, após participar de audiência pública sobre o Plano Nacional de Educação, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O Plano Nacional de Educação, cujos objetivos deverão ser alcançados até 2020, traz duas metas relacionadas à formação de professores: garantia, em regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, de que todos os professores da educação básica passem a ter formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam; e a diplomação de 50% dos professores da educação básica em nível de pós-graduação lato e stricto sensu e a garantia a todos de formação continuada em sua área de atuação.

Em relação à remuneração, o plano prevê a valorização do professor da educação básica, a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de 11 anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente; e a garantia, no prazo de dois anos, da existência de planos de carreira para os profissionais em todos os sistemas de ensino.

Sabemos que o magistério brasileiro tem uma remuneração que é 60% da média das demais profissões com nível superior. Se quisermos valorizar a educação, não há como dissociar a modernização da educação da valorização daqueles que são responsáveis pela educação", disse o ministro. "Temos uma meta específica que também conta com estratégicas específicas de equalizar a remuneração média do professor vis-à-vis a remuneração média com nível superior."

Haddad disse estar otimista com a mobilização da sociedade para acompanhar a tramitação do plano no Congresso Nacional. No entanto, afirmou que para o plano nacional obter sucesso será preciso que estados e municípios também comecem a debater os planos locais de educação.

"Se os estados e municípios começarem um debate sobre os seus próprios planos, não vai acontecer o que ocorreu com o plano anterior, que foi aprovado, mas não houve uma mobilização para aprovação dos planos estaduais e municipais. E a educação básica é estadual e municipal. Ela não é federal", afirmou o ministro.

Fonte: Terra

Em países onde a educação vai bem, salários iniciais de professor equivalem ao de engenheiro

"Nos países onde os alunos têm os melhores resultados nos testes padronizados internacionais [como o Pisa], a remuneração dos professores se encontra no nível dos salários de engenheiros e médicos", afirma o pesquisador americano Philip Fletcher, membro do Conselho Consultivo da Avalia Educacional, do grupo Santillana.

Cingapura, por exemplo, ocupa a segunda posição no ranking de matemática do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), prova que envolve 65 países.

Em ciência, o país está na quarta colocação e em leitura, na quinta. O Brasil fica em 57º em matemática, em 53º em ciência e em 53º em leitura, no Pisa 2009.

Um dos pilares do sucesso educacional do país é o investimento em seus professores, que começam a ensinar pelo mesmo salário de um engenheiro contratado pelo governo -cerca de US$ 2.500 por mês.

"Além de transmitir conhecimentos, os professores devem ajudar os estudantes a descobrir seus talentos", diz o professor Lee Sing Kong, diretor do NIE (Instituto Nacional de Educação, em inglês), órgão ligado ao Ministério da Educação.

O NIE forma cerca de 2.000 docentes ao ano: dois terços deles já têm diploma superior e fazem pós-graduação de um ano em educação; os demais cursam bacharelados de quatro anos. Enquanto estudam, os professores recebem salário. A formação é obrigatória para os profissionais da rede pública.

Modelos de sucesso

Mas a valorização do papel do professor é preocupação globalizada e foi tema da primeira Cúpula Internacional da Profissão Docente, realizada nos EUA em março, que reuniu representantes de 16 países, como Brasil, Finlândia, Cingapura e China.

"Na Finlândia, a seleção dos profissionais não se baseia apenas na sua competência cognitiva, mas dá igual importância a seu potencial de liderança, seus valores éticos, sua disposição para ensinar, sua habilidade de comunicar e de se relacionar bem", afirma Fletcher, que já foi consultor do MEC.

Além disso, em países onde a educação vai bem, "os professores têm ampla autonomia no desempenho de suas atividades didáticas para alcançar alunos com diversos estilos de aprendizagem". Para ele, tal autonomia reafirma aos professores seu profissionalismo, "o que sustenta sua estima e respeito na comunidade".

Para José Francisco Soares, da UFMG, nem todas as fórmulas podem ser aplicadas de modo imediato no Brasil, cuja carreira docente é a priori desprestigiada. "A forma como a sociedade trata o professor é como coitadinho. Temos de dar a ele a chance de ser profissional."

Fonte: Folha de São Paulo

Desvios de dinheiro comprometem a qualidade da educação

Em 1º de abril, a Controladoria Geral da União (CGU) divulgou informações sobre a 33ª edição do Programa de Fiscalização por Sorteio, responsável pela inspeção dos recursos federais repassados aos estados e municípios brasileiros. Desde 2003, a CGU chegou, através do Programa, a 1.821 municípios, tendo sido fiscalizadas verbas da ordem de R$ 16,2 bilhões.

Embora a cifra fiscalizada pela CGU pareça significativa, a mesma corresponde ao repasse de complementação da União ao Fundeb de apenas dois anos. E tendo em conta que um dos maiores ralos do dinheiro público continua instalado na rubrica da educação, o que pensar do fato de mais recursos estarem sendo repassados a estados e municípios para investimento no nível básico? Em 2006, a União enviou aos entes federados R$ 500 milhões a título de complementação do Fundef. Em 2010 foram R$ 8 bilhões, em âmbito do Fundeb.

Segundo auditou a CGU, entre 2007 e 2008, 58% dos municípios gastaram dinheiro do Fundeb indevidamente e 41% executaram licitações fraudulentas, muitas delas envolvendo recursos educacionais - segundo publicou o jornal O Globo, em 14.4.2011. À luz do balanço dos trabalhos da CGU, em termos globais, as referidas auditorias abarcaram menos de um décimo do total das verbas da União destinadas ao Fundeb, que se concentram em 9 estados da federação. É muito pouco!

Por outro lado, esta situação, além de ir contra os argumentos de estados e municípios de que não possuem recursos financeiros para pagar o piso do magistério, também evidencia a necessidade de se investir no controle social das verbas públicas, através de uma gestão democrática ampla e eficaz.

Mesmo com o advento da Lei 11.494 - em especial o capítulo VI, que trata do acompanhamento, controle social, comprovação e fiscalização dos recursos - ainda é corriqueira a indicação de apadrinhados de gestores para as funções de conselheiros/as do Fundeb, ocorrendo a mesma coisa na Merenda e em outros conselhos sociais. E isso exige uma ação mais enérgica do Estado no sentido de garantir a isenção dos membros da comunidade local nesses Conselhos, bem como a formação necessária para que exerçam com competência e responsabilidade as atividades que lhes são atribuídas.

De posse de mais essas denúncias, a CNTE reforçará o pedido ao MEC para que em parceria com os entes federados expanda os cursos de formação e instrumentalização dos/as conselheiros/as sociais da educação, devendo, ainda, os mesmos contarem com ampla assessoria do Ministério da Educação, dos Tribunais de Contas, dos Ministérios Públicos e da própria Controladoria Geral da União, quando o assunto envolver recursos federais. A CNTE também já apresentou emendas à proposta de Plano Nacional de Educação com vistas a aprimorar a gestão democrática e o controle social na educação.

Fonte: CNTE

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Agora é Hora de Lutar Pela Aplicação do Piso Nacional em Minas Gerais!

  


O Sindicato Único dos Trabalhadores em Minas Gerais (Sind-UTE/MG) realiza amanhã (19/04), a terceira assembleia estadual da campanha salarial educacional 2011. A atividade será em Ouro Preto, com o objetivo de demarcar o dia 21 de abril, quando o Governo do Estado transfere a capital para a cidade histórica e promove a solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência.

O Sind-UTE/MG também fará a transferência da capital, realizando a assembleia na cidade histórica e realizará a entrega da Medalha QUEM LUTA EDUCA a entidades e personalidades que contribuem para o combate da exclusão social e pela militância, que realiza atos que educam por uma sociedade justa. São esperados mais de 10 mil trabalhadores em educação além de lideranças sindicais e de movimentos sociais.

Conselho Geral

Antecedendo a assembleia estadual, o Sind-UTE/MG realizará reunião do Conselho Geral da entidade, às 9 h, no auditório do SESC Ouro Preto. Representantes de todo o estado levarão avaliação das regiões e discutem as próximas estratégias da campanha salarial educacional 2011.

Conjuntura da realização da Assembleia estadual

Esta assembleia é a primeira atividade da entidade após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade no. 4.167. O STF decidiu pela constitucionalidade do Piso Salarial Profissional Nacional, definido pela Lei Federal 11.738/08 como vencimento básico inicial da carreira, excluídas quaisquer gratificações e vantagens. O vencimento básico da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais atualmente é de R$369,00.

O Sind-UTE/MG já solicitou do Governo do Estado o cumprimento da Lei 11.738/08, que instituiu o Piso Salarial no valor de R$1.597,87 para nível médio de escolaridade e jornada de 24 horas. Outra questão que a categoria deve discutir é a situação do subsídio como forma de remuneração, uma vez que subsídio não é piso salarial.


Fonte: Sind-UTE MG

sábado, 16 de abril de 2011

É Hora de Peitar o Neoliberalismo da Direita Ultraconservadora


"As ideias dominantes numa época nunca passaram 
das ideias da classe dominante".
Karl Marx
Em recente artigo publicado pela revista Veja (clique aqui) o articulista Gustavo Ioschpe faz duras críticas aos sindicatos que defendem as causas dos professores brasileiros. Ao dar início à leitura do artigo de Ioschpe muitos professores pelo Brasil afora devem ter ficado furiosos com as suas duras críticas aos professores e aos sindicatos que o representam. Pode parecer uma coisa sem sentido, mas o seu artigo se conecta ao artigo divulgado nessa semana pelo ex-presidente FHC (clique aqui). E por que esses dois artigos se conectam? 

O artigo do ex-presidente FHC defende que a única esperança que ainda resta ao PSDB hoje para que ele consiga chegar ao poder é cooptar a nova classe média, segundo ele a oposição deveria desistir de conquistar as camadas mais pobres do eleitorado e se concentrar na "nova classe média" formada por pessoas com maior poder aquisitivo do que o povão, mas despolitizada. Vejamos um trecho do artigo " Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT a influência sobre os movimentos sociais ou o povão, falarão sozinhos".

Pois bem, todos nós sabemos hoje, ou deveríamos saber, que a revista Veja (e isso inclui seus articulistas como Gustavo Ioschpe) virou um panfleto que defende as ideias da direita neoliberal que hoje tem seu apoio em partidos como o DEM (antigo PFL), o PSDB e agora o PSD de Kassab, inclusive financiando campanhas do PSDB, que depois de eleitos retribuem assinando a peso de ouro revistas do grupo Abril, tais como a própria Veja.

Mas onde está a relação mais direta entre o artigo de Ioschpe e o artigo de FHC? A resposta está na possível candidatura do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves a presidência. Quem tem acompanhado a imprensa nos últimos meses tem percebido que o discurso de Aécio é de se aproximar dos sindicatos, e isso ficou bem claro na votação do mínimo de 600 reais defendido pelo PSDB na Câmara com o apoio dos sindicatos. 

E qual é o título do artigo de Gustavo Ioschpe? Hora de peitar os sindicatos. Esse título não é por acaso, ele surge na esteira da crítica feita pelo sempre líder do PSDB Fernando Henrique Cardoso, de que o partido deve se afastar do povão e essa recomendação é voltada para Aécio Neves e sua provável candidatura em 2014 a Presidência da República.

Agora vamos a análise do artigo: 

O primeiro ponto abordado por Ioschpe  é uma comparação esdrúxula ao lobby praticado pelos grupos tabagistas e a atuação de um sindicato. Só por esse argumento já se percebe a fraqueza desse argumento inicial utilizado pelo autor;

O segundo ponto é que para dar um ar de artigo científico a sua análise (que é na verdade um artigo de opinião), Gustavo Ioschpe aborda diversos estudos realizados nos EUA como embasamento para suas ideias. Como já foi trabalhado ad nauseam por diversos autores acadêmicos como Stuart Schwartz em As Ideias Fora do Lugar, a realidade de um país ou de um determinado tema não pode,  ou melhor não deve ser analisada pela realidade do outro, ou seja, a realidade educacional brasileira e a americana não guardam nenhuma semelhança entre si, seja pelo conteúdo estudado nas escolas ou seja, pela remuneração dos professores. Por isso, essa análise é por si só arbitrária. Mas como os erros não param por ai vejamos outros deslizes.

Segundo Ioschpe "Talvez seja por isso que os aumentos salariais tenham se provado ferramenta tão ineficaz na melhoria da qualidade da educação: as pessoas mais competentes parecem não fugir do magistério pelo fato de o salário ser alto ou baixo, mas sim por seu salário não ter nenhuma relação com seu desempenho. Nenhum ás quer trabalhar em lugar em que recebe o mesmo que os vagabundos e incompetentes. Talvez seja por isso que outro estudo mostrou, paradoxalmente, que a filiação a um sindicato afeta de forma significativamente negativa a satisfação dos professores com a sua profissão. É o preço a pagar pelo aumento salarial".  Em nenhum momento o autor analisa a realidade brasileira, ele apenas analisa as conclusões tiradas pelos autores dos artigos (os americanos) e a partir dai como um ás ou melhor como um asno (não deu para evitar o trocadilho) ele conclui que o que desmotiva o professor jovem na carreira não é o salário  baixo, mas sim o fato de que colegas incompetentes ganham o mesmo tanto do que ele ou mais. Isso não é verdade, todos nós sabemos que há pessoas competentes no meio educacional, mas há também aqueles que não levam a sério a sua profissão, mas em nenhum momento esse fator foi decisivo para a saída de profissionais da carreira do magistério, mesmo porque a última pesquisa do MEC apontou que apenas uma pequena parte do alunos (os piores) do final do Ensino Médio tem interesse de seguir carreira no magistério, ou seja, o problema é salarial, logo nenhum jovem brilhante trocaria uma carreira em um empresa pelos salários oferecidos nas redes públicas de educação.

Para concluir, no fim da década de 90, Gustavo Ioschpe, então recém-saído da adolescência, estreou como colunista do caderno Folhateen, suplemento para adolescentes do jornal Folha de S. Paulo. Em um dos seus artigos, sugeriu a cobrança de mensalidades nas universidades públicas do país. A partir daí, Gustavo Ioschpe passou a economista requisitado em seminários e palestras por todo Brasil, sobre educação um tema que ele profundamente não conhece (pois é um tecnocrata como tantos que habitam o ninho tucano), pois o problema da educação no Brasil passa pela questão salarial SIM e pela falta de uma política pública séria para educação. A educação não deve ser tratada apenas como questão de governo. O envolvimento de toda a sociedade é fundamental, para que a Educação seja uma prioridade não do governo, mas do Estado brasileiro, ou seja, do país, algo que infelizmente ainda não é.

Paulo Gustavo Grossi da Silva
Professor de História e Filosofia
Diretor de Comunicação
Sind-UTE Viçosa